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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) disse não acreditar que o desfile militar da terça-feira (10) tenha sido organizado para intimidar o Congresso. De acordo com o vice, "seria extremamente ridículo" caso a parada militar tivesse sido realizada com esse objetivo.

Ao se referir aos veículos utilizados pela Marinha, ele sugeriu, em tom irônico, que a parada pode ter sido planejada pela Força "no intuito de receber maiores recursos para dar uma melhorada" no material.

"A Marinha quis fazer uma homenagem para o presidente, vejo dessa forma. Acho que estava marcado antes isso aí. Se fosse para ser colocado como uma forma de pressão no Congresso, seria extremamente ridículo. Então não vejo dessa forma", disse Mourão, general da reserva do Exército, ao chegar a seu gabinete.

Questionado sobre as críticas de diversos políticos de que a exibição de blindados teria sido feita para intimidar o Parlamento, que no mesmo dia rejeitou a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do voto impresso, Mourão respondeu com ironia.

"Eu não levo para esse lado não. Acho que a Marinha quis fazer uma homenagem ali ao presidente. Apresentou ali o material que ela tem, talvez até no intuito de receber maiores recursos para dar uma melhorada", afirmou.

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Com Bolsonaro no alto da rampa do Planalto, a parada militar reuniu na manhã de terça cerca de 40 veículos, todos da Marinha, entre blindados, caminhões e jipes.

Durante o desfile, que durou apenas 10 minutos, os veículos protagonizaram vídeos e memes na internet pela fumaça desprendida de um dos tanques -em aparente má regulagem do motor a diesel.

A parada militar passou ao lado da praça dos Três Poderes, onde estão o Palácio do Planalto (sede do Executivo), o Congresso Nacional (Legislativo) e o Supremo Tribunal Federal (Judiciário).
Interpretado como uma tentativa de demonstração de força do presidente no momento em que aparece acuado e em baixa nas pesquisas, o desfile foi alvo de uma série de críticas do meio político, sendo tratado como mais uma tentativa do Planalto de pressionar outros Poderes e de buscar a politização das Forças Armadas.

Mourão também confirmou que não foi convidado para o desfile militar.

"O presidente não havia me avisado disso, então segui nas minhas atividades normais de uma terça-feira".