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O novo governo da Itália autorizou o navio Ocean Viking a desembarcar 82 imigrantes na ilha de Lampedusa, após vários dias no Mar Mediterrâneo.

A decisão representa uma reviravolta na política mantida até recentemente pelo ex-ministro do Interior Matteo Salvini, de extrema-direita. Ele criticou a medida (leia detalhes mais abaixo).

É a primeira vez em 14 meses que a Itália propõe um porto seguro a uma embarcação que resgata imigrantes no mar.

Os imigrantes foram transferidos a um navio da guarda costeira italiana, que os levou para a ilha de Lampedusa, segundo imagens da TV italiana.

Segundo o governo da França, eles serão distribuídos entre cinco países europeus (Itália, França, Alemanha, Portugal e Luxemburgo) que chegaram a um acordo.

"Agora, temos que chegar a um acordo sobre um verdadeiro mecanismo temporal europeu", escreveu no Twitter o ministro francês do Interior, Christophe Castaner.

Salvini reclama

"Começamos já. Os portos se abrem sem limites", tuitou Salvini, depois da autorização de desembarque.

"O novo governo está reabrindo portos, a Itália volta a ser o acampamento de refugiados da Europa. Ministros abusivos que detestam os italianos", continuou o ex-ministro, que tentou forçar eleições antecipadas em agosto no país.

Ele acabou deixando o Executivo, após a formação de um governo de coalizão que excluiu seu partido de extrema-direita, a Liga.

Quando foi ministro do Interior, Salvini travou uma guerra aberta contra as ONGs que resgatavam imigrantes no Mediterrâneo, proibindo seu acesso aos portos italianos ou impondo pesadas multas.

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Salvini foi substituído no cargo de ministro do Interior por uma especialista em imigração, Luciana Laborgese.

O ministro italiano das Relações Exteriores, Luigi Di Maio, afirmou à televisão italiana que "designou um porto seguro para o barco, porque a União Europeia aceitou nossa demanda de acolher a maioria dos imigrantes".

Di Maio lidera o Movimento 5 Estrelas e integrou a coalizão com o partido de Salvini. Agora, a aliança é com o Partido Democrata, de centro esquerda.

A negociação sobre um mecanismo temporário de "distribuição automática" de imigrantes resgatados na Europa foi confirmada na quinta (12) por fontes de Bruxelas.

O projeto será debatido na próxima quarta (18), durante uma reunião em Roma entre o premiê italiano, Giuseppe Conte, e o presidente francês, Emmanuel Macron.

Depois, no dia 23, haverá um encontro de ministros do Interior europeus e de representantes da Comissão Europeia, em Malta.

17 menores e um garoto

O navio Ocean Viking fazia sua segunda missão no Mediterrâneo e navegava havia quase duas semanas entre Itália e Malta, à espera de um porto seguro para desembarcar os imigrantes.

Entre as 82 pessoas a bordo, a ONG Médicos sem Fronteiras, que também freta a embarcação, contou 58 homens, seis mulheres, 17 menores de idade e uma criança de um ano.

"Disseram aos nossos médicos que haviam sofrido queimaduras e haviam sido agredidos com pedaços de pau e de metal" quando estavam na Líbia, relatou a MSF no Twitter.

"Muitos deles estão com traumas psicológicos", acrescentou a ONG.

Na primeira expedição, no final de agosto, o Ocean Viking resgatou 356 imigrantes, que puderam desembarcar em Malta. A França se comprometeu a receber 150.Com informações G1