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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Ford confirmou neste sábado (31) que concluiu a venda da fábrica de São Bernardo do Campo (Grande São Paulo). A construtora São José, especializada em empreendimentos logísticos, e a empresa Fram Capital, focada em gestão de recursos, são as novas donas do espaço.

A montadora não divulgou o valor envolvido na negociação. A estimativa é de que algo próximo a R$ 500 milhões.

Lyle Watters, presidente da Ford América do Sul, diz em nota que, após um processo de seleção que envolveu uma série de potenciais compradores, as duas empresas apresentaram a melhor alternativa para a planta e para a região.

Em agosto, o executivo disse ao jornal Folha de S.Paulo que o sindicato da região foi envolvido nas negociações. "Pedimos à construtora que considere o aproveitamento dos empregados, estamos progredindo nessas discussões. O que sei é que a força de trabalho de São Bernardo é fantástica e qualquer empregador estaria contente de contratar esses funcionários."

A produção foi encerrada há um ano, no dia 30 de outubro de 2019. A fábrica de São Bernardo do Campo produzia caminhões e o hatch compacto Fiesta, trabalhando com grande capacidade ociosa.

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A montadora empregava 3.000 trabalhadores diretos e 1.500 indiretos na cidade da Grande São Paulo. A princípio, houve 650 demissões.

Hoje a Ford concentra a produção em Camaçari (BA), onde tem acesso a benefícios tributários que estão em vigor até 2025, e em Taubaté (interior de São Paulo), unidade que produz motores. A picape Ranger, modelo mais rentável da marca, é montada na Argentina.

As negociações para venda da fábrica de São Bernardo do Campo envolveram outras montadoras e o governo do estado de São Paulo.

O anúncio do fechamento da planta foi feito em fevereiro de 2019. Em março, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou o programa IncentivAuto, pacote de benefícios fiscais para manter e atrair negócios da indústria automotiva. A sanção só ocorreu sete meses depois.

O grupo Caoa chegou a avançar nas negociações, mas desistiu do negócio. Em seguida, houve conversas com a chinesa BYD, que produz ônibus elétricos em Campinas (interior de São Paulo). Novamente, não houve acordo.

Os novos proprietários da fábrica ainda não anunciaram o que será feito no local. Em um comunicado conjunto, Mauro Silvestri, sócio-fundador da Construtora São José, diz apenas que "grandes realizações se concretizam com trabalho e dedicação, fruto de muito esforço e compromisso de todos, com propósitos firmes".

Antes de pertencer à Ford, a fábrica de São Bernardo do Campo produziu modelos da Willys-Overland do Brasil. A montagem começou no fim dos anos 1950, com a linha Jeep.

A Ford assumiu o controle das operações em 1967 e, no início, concluiu projetos que vinham sendo desenvolvidos pela Willys em parceria com a Renault. O primeiro foi o Corcel, lançado em 1969.