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A partir de hoje, oficialmente, o Exército Brasileiro é responsável pela controle da Operação Mandacaru – nome dado às atividades da Corporação no território cearense durante o período de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Embora soldados da força militar já estivessem nas ruas da cidade desde sexta-feira (21), o policiamento ostensivo terá início nesta manhã.

Além do efetivo de 2,5 mil soldados do Exército, o grupo gerenciará as atividades de equipes da Polícia Militar do Ceará, como os integrantes do Comando de Policiamento de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio), do Comando de Policiamento de Choque (CPChoque) e do batalhão de especializadas.

“A gente pode dar algum tipo de atividade diferente daquelas que eles fazem no dia a dia. Eventualmente, em uma necessidade específica, ele pode receber uma tarefa específica”, ressaltou o comandante da 10ª Região Militar, Fernando da Cunha Mattos. Segundo o general, o comando da Segurança Pública do Estado continua sob responsabilidade da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).

Reforço

Conforme o comandante da 10ª Região Militar, “os efetivos estavam inicialmente muito limitados, por isso o Comando do Nordeste enviou novas tropas, de quatro estados, para dar um volume adequado para a missão”. Os soldados do Exército vieram do Piauí, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. O general Fernando da Cunha Matos afirmou que, das 2,5 mil pessoas empregadas na Operação Mandacaru, cerca de 500 são da 10ª Região Militar.

As atividades de policiamento do Exército serão realizadas de forma motorizada, a pé e por meio da segurança de pontos estratégicos. “Vamos implementar, juntamente com a Polícia, patrulhas mistas, a Polícia fazendo o seu trabalho, e a gente conjuntamente. Dessa forma, estamos buscando aumentar a presença das tropas federais e reduzir os índices”, reiterou.

Conforme o comandante da 7ª Brigada de Infantaria Motorizada, Ulysses de Mesquita Gomes, a tropa que atuará no Ceará é “muito experiente”. “A tropa que aqui está do Comando Militar do Nordeste tem soldados antigos, com experiência em Caatinga e em operações deste tipo. Alguns participaram de operação no Haiti, outros em grandes eventos, como Copa do Mundo e Olimpíadas. Com esse efetivo, vamos trabalhar diuturnamente para alcançar a redução dos índices de criminalidade”, pontuou o general.

Foco na Capital

O comando da Operação Mandacaru informou que o foco, inicialmente, será na cidade de Fortaleza, cuja prioridade é garantir “a tranquilidade das pessoas, o patrimônio e a segurança pública”, com olhar especial nas áreas de maior incidência da criminalidade.

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Segundo o general Fernando da Cunha Mattos, caso seja determinada uma reintegração de posse dos batalhões ocupados por policiais encapuzados no Estado, esta decisão, inicialmente, tem que partir da Justiça Federal. Em seguida, “a tropa agirá de acordo com as orientações recebidas do Ministério da Defesa”, ressaltou.

Batalhões

Ontem, o Sistema Verdes Mares visitou seis Batalhões de Polícia Militar (BPM) da Capital e Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Apenas o 22º BPM (Papicu) não tinha viaturas bloqueando o acesso. Todos os demais tiveram suas entradas obstruídas.

Por volta das 10 horas de ontem, 21 policiais militares, lotados no 17º BPM, no bairro Conjunto Ceará, saíram para patrulhar áreas estratégicas da capital cearense.

Até ontem, o 18º Batalhão, no bairro Antônio Bezerra, respondia pelo maior número de PMs amotinados. Mais de 150 viaturas – incluindo quatro do Corpo de Bombeiros – bloqueavam ruas adjacentes ao prédio. Os policiais se acomodavam dentro e fora do Batalhão, dormindo nas próprias viaturas. Uma tenda foi montada em frente à unidade. Sob ela, cadeiras e galões de água. Os PMs se revezavam em turnos. Segundo os policiais paralisados, “a população está fazendo a doação de mantimentos”.

No 12º Batalhão, em Caucaia, cerca de 30 carros estão estacionados em frente ao prédio. Todos os veículos estão com os pneus danificados. A equipe de reportagem foi recebida com hostilidade por um grupo de dez policiais, todos usando balaclavas. Cenário semelhante foi vivenciado no 18º. Os episódios, no entanto, praticados por minorias.

Em Maracanaú, no 14º Batalhão, mais de 25 viaturas foram espalhadas pelo pátio. Cerca de 20 PMs, sem balaclava, estavam amotinados dentro do prédio. O portão de acesso ao Batalhão foi trancado quando a equipe de reportagem deixou o local.

O 16º, em Messejana, também está inoperante. De acordo com um policial, que pediu para não ser identificado, “nenhum militar está nas ruas”. “Não há viaturas”, acrescentou. Os portões daquela unidade permaneceram fechadas ao longo de quase todo o dia, e 23 viaturas tiveram os pneus furados ou esvaziados. Outras 30 motocicletas também estavam paradas no pátio.

Interior

Em cidades do interior do Estado, ainda foram registrados locais de amotinamento de policiais militares. Em Juazeiro do Norte, o estacionamento do Vapt-Vupt da cidade é ponto de concentração de PMs do 2º Batalhão.

Já em Iguatu, na Região Centro-Sul, a situação continuava da mesma forma, com 18 viaturas paradas em frente ao Quartel do 10º BPM. Em Sobral, na região Norte, policiais continuam amotinados na Base da Ciopaer e do CPRaio. Do lado de fora, é possível ver a movimentação de policiais grevistas entrando e saindo.

A informação é do Diário do Nordeste