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pós a polícia ter encontrado o corpo de um dos chefes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza, o governo federal informou que enviará uma força-tarefa ao estado.

Segundo o Ministério da Justiça, o objetivo é reforçar as operações conjuntas de inteligência “diante dos últimos acontecimentos”, e “dar apoio técnico às forças de segurança estaduais nas ações de combate ao crime organizado”.

O governo infomou que o destacamento será composto por 36 homens, sendo 26 da Polícia Federal e 10 da Força Nacional de Segurança Pública, e será chefiado pelo almirante Alexandre Mota, secretário-adjunto da Secretaria Nacional de Segurança Pública.

Ao lado do corpo de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, em Aquiraz, foi encontrado e já identificado o corpo de Fabiano Alves de Souza, conhecido como Paca.

De acordo com o procurador de Justiça, Marcio Sérgio Christino, os dois eram foragidos da Justiça de São Paulo e líderes da facção criminosa.

As duas principais suspeitas da polícia para as mortes são execução por facção rival ou retaliação do próprio PCC. Eles foram mortos com tiro no rosto e facada no olho.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública do Ceará, os corpos estavam na área de uma reserva indígena e sem identificação. A polícia investiga quem são os autores do crime.

‘Duro golpe’, diz promotor

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya disse na tarde deste domingo (18) que a morte de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC), que atua dentro e fora dos presídios, “é um duro golpe na facção”.

“É uma grande baixa para o PCC. Gegê era considerado o número 1 do PCC em liberade, abaixo apenas do Marcola. O Paca estava entre os seis da facção. Já não existem elementos da facção na rua para exercer essa liderança”, afirmou Gakiya, que trabalha no Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual em Presidente Prudente e é um dos promotores que mais investigam a facção.

Segundo o promotor, “não há informações de conflito com outras facções” sobre a morte de Gege e Paca no Ceará. “Segundo as nossas investigações não se trata de briga de facções. Ninguém sabia, a não ser alguns integrantes do PCC, que eles estariam no Ceará nessa época. Possivelmente possa ser um racha dentro da facção que levou a essas mortes.”

Gegê do Mangue

Rogério Jeremias de Simone era considerado pelo Ministério Público de São Paulo o número 3 na escala de chefia do PCC. Havia a suspeita de que ele estivesse controlando o tráfico de drogas no Paraguai.

Em abril de 2017, o promotor Rogério Leão Zagallo disse ao G1 que “a última informação recebida pela Polícia Federal é da suspeita de que Gegê esteja no Paraguai desde que ele fugiu”.

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Também em abril do ano passado, ele foi condenado a 47 anos, 7 meses e 15 dias de prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e formação de quadrilha armada. Para a fixação da pena, o magistrado levou em consideração, entre outros fatores, os antecedentes criminais do acusado, sua conduta social e personalidade voltadas a práticas delituosas.

Para o Ministério Público (MP), Gegê e Abel ordenaram as execuções de dois criminosos na favela do Sapé, no bairro do Rio Pequeno, Zona Oeste de São Paulo. Eles tinham dado as ordens por celular de dentro da cadeia para integrantes da facção matarem dois desafetos do grupo do lado de fora.

Ele foi liberado antes de seu julgamento após a Justiça entender que houve excesso de prazo para ele ser julgado. Após a sua liberação, ele não se apresentou mais às autoridades e faltou ao próprio julgamento. Ele não foi localizado por ter mentido sobre os endereços que poderia estar e passou a ser considerado foragido da Justiça. Sua prisão preventiva chegou a ser decretada.

Facções Criminosas

Guerra de facções, resultando em uma onda de violência, ocorre desde o início do ano no Ceará. Na madrugada de 28 de janeiro, 14 pessoas foram assassinadas em uma casa de forró no Bairro Cajazeiras, na periferia de Fortaleza.

A casa de forró era frequentada por membros do Comando Vermelho (CV), disseram um policial militar e moradores do bairro ao G1; o ataque é atribuído pelas mesmas pessoas aos Guardiões do Estado (GDE), uma facção local.

Dois dias depois da chacina, uma briga entre presos resultou na morte de dez pessoas na cadeia pública de Itapajé, no interior do Ceará. O confronto foi entre integrantes do CV e do Primeiro Comando da Capital (PCC). O PCC é aliado do GDE, segundo autoridade da área de inteligência no estado.

O Ceará enfrenta uma onda de violência. Em 2017, o número de homicídios foi 47% superior ao de 2016, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública.

Condenação

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condenou as 10 mortes ocorridas na Cadeia Pública de Itapajé, no Ceará. Em comunicado emitido nesta sexta-feira (16), a CIDH insistiu para que as autoridades cearenses e brasileiras investigassem e esclarecessem as circunstâncias em que os fatos aconteceram, para identificar e punir os responsáveis.

Com informações do G1 Ceará