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Tasso e ala do PSDB pressionam Aécio a deixar presidência da sigla. Foto: Marcelo Camargo/Abr

A volta de Aécio Neves (PSDB-MG) ao Senado foi marcada pela pressão de uma ala de seu partido para que ele deixe definitivamente a presidência da sigla, da qual está licenciado desde maio.

Acusado de corrupção passiva e obstrução da Justiça, Aécio foi gravado por Joesley Batista, da JBS, a quem pediu R$ 2 milhões. Por esse motivo, teve o afastamento do mandato decretado pela Justiça e revertido pelo plenário do Senado na terça-feira (18).

O presidente interino da sigla, senador Tasso Jereissati (CE), defendeu publicamente a renúncia e disse que o mineiro não tem condições de permanecer no posto. “Agora ele não tem condições, dentro das circunstâncias em que está, de ficar como presidente do partido. Nós precisamos ter uma solução definitiva e não provisória”.

Renúncia
Tasso já defendeu outras vezes a renúncia do senador mineiro. Mas o assunto foi adiado até dezembro, para quando está prevista uma convenção nacional. O novo revés da Justiça, contudo, reacendeu o tema. A bancada de senadores do PSDB se reuniu na noite desta quarta para discutir o futuro do partido. Aécio deixou a reunião sem falar com a imprensa. Outro a defender a saída do mineiro foi Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), vice-presidente do Senado.

Voluntário
Alguns tucanos disseram esperar um gesto voluntário de Aécio, de abrir mão do cargo. Avaliam que o partido já se expôs muito na terça, ao votar em peso pela liberação do senador. E que, agora, é hora de ele retribuir o sacrifício da bancada. Os dez senadores do PSDB votaram nesse sentido, numa sessão com voto aberto. Só Ricardo Ferraço (ES), que está no exterior, e o próprio senador mineiro não votaram.

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Volta
Incomodado com o resultado, Ferraço disse que a decisão do Senado foi um “deboche” e anunciou que se licenciará do mandato até 15 de dezembro. Tasso disse ainda que a decisão tomada na terça pelo plenário do Senado foi “mal interpretada” e defendeu o prosseguimento das investigações contra o tucano. “A decisão da maioria foi mal interpretada. No meu entender, [a decisão] é de dar ao senador Aécio Neves o que ele não teve até agora, que é o direito de defesa”, disse. Afirmou ainda que o mineiro terá de responder a um processo no Conselho de Ética do Senado e às investigações no Supremo.

“Ampla defesa”
A executiva nacional do PSDB também divulgou nota na tarde de quarta dizendo que os votos da bancada em favor de Aécio “não implicam de forma nenhuma um juízo de valor sobre as atitudes do senador”. De acordo com a mensagem, os votos de tucanos favoráveis a Aécio se devem “única e exclusivamente à nossa convicção de que todo e qualquer cidadão tem direito à ampla defesa e ao contraditório, princípios básicos do Estado Democrático de Direito”. O texto diz ainda que a decisão de modificar a determinação da Justiça “muito menos pode ser entendida como parte de qualquer acordo relacionado à votação da denúncia contra o presidente da República na Câmara dos Deputados”.

Na Câmara
Tasso negou que o partido vá retribuir na Câmara o apoio dado pelo PMDB a Aécio na terça. Ele tem defendido que o partido vote de forma dura sobre a denúncia contra o presidente Michel Temer pelos crimes de obstrução da Justiça e organização criminosa. O caso está em análise na Câmara.

Com informações da Folha