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A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro dará início em novembro a um mutirão para zerar em todo o estado as filas para exames de mamografias e biópsias para detecção do câncer de mama. Para tanto, será reativado o caminhão de mamógrafo móvel, equipamento adquirido pelo poder público em 2014, mas que parou de realizar viagens em razão da crise financeira que atinge o estado.

O anúncio foi feito pelo secretário Luiz Antônio Teixeira Júnior no Rio Imagem, no centro da capital fluminense, durante evento que marcou o Dia D do Outubro Rosa, movimento internacional que visa chamar a atenção para a prevenção do câncer de mama. "Vamos percorrer diversas cidades e bairros onde as mulheres têm dificuldade de fazer mamografia, ultrassonografia e biópsia. E assim estimular as pessoas a buscarem uma vida melhor, combatendo o câncer de mama", disse.

De acordo com o secretário, no Rio Imagem a fila deve ser zerada ainda este mês. Ele disse também que a população de 42 municípios do estado que não possuem mamógrafo terão acesso ao exame por meio do caminhão. O veículo será levado para cidades-pólo, a partir das quais todas as secretarias municipais de saúde de cada região serão mobilizadas. "Oferecer esses exames não é só uma obrigação do governo estadual, mas também dos municípios. E nós estaremos apoiando todos eles", acrescentou Teixeira Júnior.

A realização de mamografia é importante na identificação precoce da doença e reduz significativamente o risco de mortalidade. O Ministério da Saúde recomenda que mulheres entre 50 e 69 anos façam o exame a cada dois anos. De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), são esperados anualmente no Brasil mais de 55 mil novos casos.

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Desde 2012, com a aprovação da Lei 12.732, o tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) deve começar em até 60 dias após o diagnóstico, independentemente da região do paciente. Apesar de raro em homens, o câncer de mama também acomete a população masculina, representando 1% do total de casos.

Exposição

Durante o Dia D do Outubro Rosa, o público que passou pelo Rio Imagem pode visitar a exposição fotográfica do projeto Peito Aberto, que traz imagens de mulheres que venceram a doença. Ele foi idealizada por Andreia Souza, que se curou de um câncer descoberto aos 49 anos e decidiu se engajar em trabalhos de conscientização. "Muitas mulheres não mostram a cicatriz nem para os seus maridos. Mesmo assim, aceitaram o desafio de mostrar na exposição e fazer uma foto sensual e bonita. Temos modelos de 38 anos e de 69 anos, que estão apresentando sua realidade para outras mulheres".

Também no evento, o tatuador Beto Tattoo realizou um cadastramento de mulheres que passaram por mastectomia e têm interesse em reconstruir o mamilo gratuitamente por meios da tatuagem. "Todo tipo de apoio é importante. Há casos de família que se afasta, maridos que abandonam. As pessoas passam por muitas dificuldades, mas o câncer hoje não é mais uma sentença de morte. Então é ter força e não se abalar", disse Joelma Ali, que superou um câncer descoberto aos 30 anos. Hoje ela é integrante do grupo Poderosas Amigas da Mama, que dá suporte às vítimas da doença.

*Colaborou Tatiana Alves, repórter do Radiojornalismo