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O governo terá que enfrentar a ira de setores da base aliada depois do mal-estar criado pelas primeiras declarações do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, responsabilizando o Congresso pela não-votação da reforma da Previdência, o que teria levado ao rebaixamento da nota do Brasil junto à agência internacional de risco Standard &Poor’s. O tom de Meirelles nesta sexta-feira (12), tentando evitar o clima de confronto, não reverteu totalmente o quadro: na avaliação de aliados, o estrago já estava feito. As informações são do jornal O Globo.

A avaliação é de que briga de egos dos pré-candidatos a presidente – Henrique Meirelles e o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) – ainda dividirá a base e pode azedar as negociações.

Maia disse ao jornal O Globo que não se comporta como candidato, em uma resposta às primeiras declarações de Meirelles, mas disse que não pode ficar calado diante de críticas ao trabalho do Legislativo.

“Não estou em clima de campanha. Apenas não posso deixar o Palácio e o ministro Meirelles responsabilizarem o Congresso pelo rebaixamento. Ontem (quinta-feira), fiz duas reuniões para tratar da Previdência. E o que eles fizeram?”, disse Maia, acrescentando: “Não muda nada. Continuo trabalhando para ajudar a base a conquistar 308 votos”.

O líder do PP na Câmara, deputado Arthut Lira (AL), disse que as declarações de Meirelles contra o trabalho do Congresso foram “catastróficas” e que o ministro não reverteu a irritação com o tom mais ameno desta sexta-feira. Lira é aliado de Maia e apoia seu nome na corrida para 2018.

“A declaração do Meirelles foi catastrófica. Votamos muita coisa em 2017. Foi ruim o que ele disse e agora já espalhou no ventilador. A entrevista dele foi pior do que rebaixamento. O bom senso tem que ser primordial”, disse Arthur Lira.

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Experiente, Arthur Lira disse que o governo tem que evitar novos comportamentos como esse se quiser aprovar a reforma. “Se ninguém atrapalhar, melhora a situação [em favor da aprovação da reforma], porque todo mundo está vendo que ela é necessária”, disse ele.

Mas o líder do PP criticou a postura de candidato de Meirelles. “Não dá para o ministro ter essas duas agendas. E Meirelles não tem tamanho para disputar com Maia”, disparou Arthur Lira.

Já o vice-líder do governo na Câmara, deputado Beto Mansur (PRB-SP), disse que Meirelles não errou ao falar que o Congresso tem a sua responsabilidade. Ele disse que o governo precisa votar dia 19 a reforma.

“A questão é que o Congresso é culpado mesmo de não ter votado as coisas que mais interessavam. Mas o presidente Temer sempre está dando a sinalização de que o Congresso é importante. Acredito que, no dia 19, ou vota, ou desiste”, disse Beto Mansur.

Ele criticou o clima pré-eleitoral entre nomes da base aliada. “Está muito cedo [para isso]”, reclamou Beto Mansur.

Aliados do Palácio do Planalto avaliam que o governo tem duas tarefas simultâneas: acabar com o conflito na base e usar esse rebaixamento como arma para pressionar os parlamentares a votar a Previdência, com o discurso de que tudo pode piorar caso a reforma não seja realizada. Segundo interlocutores de Temer no Congresso, o presidente da República quer ir para “o tudo ou nada” no dia 19 de fevereiro, ou seja: quer votar neste dia ou desistir da ideia, mas não ficar adiando a questão.

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